Maio Laranja: para quebrar o ciclo da violência contra crianças e adolescentes

Texto por: Nayara Nascimento

Nesta semana, a Toda Cidadã chama a atenção para o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data integra a campanha Maio Laranja, que tem o objetivo de conscientizar a população sobre a prevenção, identificação dos casos e a importância de denunciar.

O aumento da violência

Em 1973, o “caso Araceli” chocou o Brasil: uma menina de 8 anos foi sequestrada, violentada e assassinada em Vitória (ES). Apesar da grande comoção e inúmeras manifestações por justiça, o crime ainda segue impune mais de 50 anos depois.

O caso Araceli impulsionou uma maior visibilidade da luta pelos direitos das crianças e adolescentes no país. Em sua memória, a Lei nº 9.970/2000 instituiu o 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A violência sexual contra crianças e adolescentes é cercada pelo silenciamento, negligência e minimização da gravidade dos crimes. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 corroboram esse persistente ciclo de violações. Os crimes mais recorrentes são estupro e estupro de vulnerável, com 65.395 registros, majoritariamente por agressores que fazem parte do convívio familiar da vítima. Entre outras formas de violência, também é preocupante a produção e distribuição de material de abuso sexual infantil, sobretudo no ambiente digital. O documento reitera a subnotificação dos casos praticados na internet.

A urgência do enfrentamento

Proteger crianças e adolescentes é um papel da sociedade em geral. A Toda Cidadã defende a importância da educação para a cidadania na construção da dignidade desde a infância e que possibilite a atuação social das meninas e mulheres. Para isso, é essencial garantir a segurança delas em todos os espaços.

Nos últimos anos, temos acompanhado com preocupação o aumento de discursos conservadores que naturalizam a violência contra crianças e adolescentes. Entre os casos, é possível destacar a ação de grupos religiosos pró-vida que tentam impedir o acesso ao aborto legal às gestantes vítimas de estupro. Também se observa a relativização do estupro de vulnerável sob a alegação de que crianças e adolescentes consentiram a relação que não é permitida pela legislação para menores de 14 anos.

Na oportunidade do Maio Laranja, é necessário dialogar cada vez mais sobre as variadas formas de abuso sexual e exploração às crianças e adolescentes para conscientizar a sociedade e desnaturalizar essas violências. Isso implica na prevenção dos crimes, no acolhimento das vítimas sem culpabilização e revitimização, além da possibilidade de reconstrução da sua dignidade a partir da educação cidadã, para além de outras abordagens.

Disque 100 para denunciar.

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